24/06/2008

Enfermidades #3

Serei a única pessoa a gostar de tomar xaropes e de beber soro fisiológico?

As amígdalas até parecem ficar meio entorpecidas só de pensar no Brufen e no Maxilase... Hmmm!!

22/06/2008

Enfermidades #2

Há 3 dias que estou sem olfacto. Ás vezes penso em usar um berbequim para desobstruir as vias. É capaz de funcionar.

21/06/2008

Enfermidades #1

Eu: (Espirro)
Ele: Mas que raio, estou farto de te ouvir fungar!
Eu: Estou com uma alergia crónica não sei a quê!
Ele: Estás é com alergia à vida!
Eu: ... (Reflexão)... Sim... De facto, se eu morrer, ela invariavelmente passa!

Vox Pop

Local: Praia da Ponte
Autor: Mulher de grande porte
Frase: " Epá, tinha as cuecas cheias de merda! Tive de lhe limpar o cu todo que aquela merda parece que vinha à pressão! E eu que pensava que a Coca-Cola prendia os intestinos..."



Comentário: Pobre senhora, malandros, andam para aí a informar mal as pessoas! Já não dá para confiar em ninguém! Vou passar a meter os dedos nas tomadas que da muito mais jeito para limpar o pó, que de certeza que não faz mal nenhum!

É por estas e por outras que me orgulho tanto de ser Portuguesa =')

Ai Que Triste Fado

O meu Santo António este ano foi miserável.

Estava eu preparadinha para ir jantar no arraial, com toda aquela envolvente mística de música tradicional Portuguesa, na meia-luz de uma tarde de Verão e fragrância de peixe e manjerico, quando dei por mim num cenário de filas intermináveis só para fincar o dente numa sardinha fria e artisticamente forrada a moscas. Mas eram filas como aquelas que fazem de um dia para o outro ao relento, à porta do Colombo com o fim heróico de comprar bilhetes para o concerto da Madonna.

Ora com tudo isto e uma fome desgraçada, por motivo de assegurar a sobrevivência da espécie, fomos obrigados a ir jantar noutro sítio qualquer que não vendesse sardinhas, porque esses, todos eles estavam com uma tal quantidade de gente que se podiam tornar potências focos de propagação de epidemias.

Ou seja, andei eu a incorporar-me no espírito durante mais que uma semana (passando fome para reservar espaço em mim para a sardinha, descurando um pouco a minha higiene pessoal e preparando cuidadosamente um plano-poupança em moedas pretas para esbanjar em álcool, entre outras coisas) para no fim acabar sentada num restaurante lounge de Pastas em Telheiras. Francamente. É que ainda por cima estava a malta toda de calção e chinelo no pé, portanto provocámos algumas reacções assim que entrámos naquele estabelecimento com um certo padrão de vestuário, por sinal, bem diferente do nosso.

Como se não bastasse, ainda me serviram sal com bifes, em vez de bifes temperados, que eu quase que podia apostar que tinham as arcas avariadas e andavam a conservar aquelas solas de sapato em baús de salga, como faziam antigamente. Eu juro que receei desidratar, não fosse aquilo sugar-me toda a linfa por osmose, ou raio que o parta.

Portanto acabo este apontamento deixando no ar a seguinte reflexão: Que mal fiz eu aos Santos para que me amaldiçoassem assim?

10/04/2008

Detestáveis #1

Odeio máquinas de snacks. Não sei se mais alguém está comigo nesta luta, mas de certeza que não sou a única a ter uma certa antipatia por esses monstrinhos.

Podem ser muito práticas e convenientes, eu própria vejo-me obrigada a ser fraca e a ceder à tentação, mas há alguns aspectos logísticos que podiam ser consideravelmente trabalhados.

a) Por que razão insistem em pôr as bolachas na primeira prateleira lá do alto? É que aquelas que foram concebidas para serem estaladiças, quebrarem ao trincar, e que um dia foram perfeitinhas e inteiras, após a vertiginosa queda de 12 prateleiras que se segue ao código e à rosca giratória, é melhor destrocar a nota e marcar o código do pacotinho de leite, que nos destroços em que ficaram, mais vale sacar duma malga e comê-las como cereais.

b) Eu compreendo que zelem pelas qualidades nutricionais da comida e pela preservação de todas as suas propriedades tornando aquela torre numa arca frigorífica do Norte da Europa . Mas já por algumas vezes que os minutos que poupei na fila do bar foram gastos a tentar arranjar uma forma humanamente possível de trincar ou pelo menos dividir em pequenas porções o salame de chocolate. É que mais facilmente o ponho num olho para curar uma mazela que o como.

c) Eu também consigo perceber que não queiram ser roubados, e que este mundo está cheio de safadagem, mas eu tenho sérias dúvidas sobre se a pala para recolher a comida é de facto uma pala ou uma guilhotina. Aquele dispositivo de segurança com uma mola de suspensão é de tal forma potente que se tornasse aquele tipo de alimentação um hábito, provavelmente criaria um hematoma crónico na zona do antebraço, e daqui a alguns anos, possivelmente, seria amputado por circulação deficiente e consequente definhamento da mão e dos dedos. Qualquer dia em vez do Bolicao, surpreendo-me com uma mão gélida e humana, deixada lá por acaso. Ás vezes chego mesmo a entrar em pânico quando, com a ganância de alimento, fico com a mão entalada e não a consigo de lá tirar sem pelo menos ter de girar a mão repetidamente até encontrar o ângulo correcto. Eu acho isto bastante perigoso, porque se me apanham num desses dias gananciosos e eu tenho o azar de não atinar com a coisa, e bem provável que me encontrem morta passado alguns dias, ressequida e ainda a salivar.

Acho que da próxima vez vou ao bar.

09/04/2008

Lasagna al carbonara ( não sei dizer mais nada em Italiano além do que está na carta do Don Alfredo, teve de ser.)

De facto, andar de transportes públicos enriquece muito mais o dia-a-dia.

Com toda a ameaça cardiovascular que andar de carro em Lisboa representa, fui obrigada a deixá-lo no meu block, e vendi-me aos transportes públicos, nomeadamente, ao metropolitano.
Vinha eu alegremente a desfrutar da paisagem, quando entrou uma matilha de 3 italianos jovens e despenteados. Eu, sentada no banco junto ao separador, fui surpreendida por um deles que se jogou de tal forma no banco ao lado que chegou mesmo a invadir o meu espaço pessoal. Quero com isto dizer que fiquei literalmente esmagada contra o separador, numa posição nada sensual e totalmente deselegante.

Com a face prensada num tal ângulo, era-me impossível já olhar em redor, e senti-me subitamente ainda mais em vácuo. Qual o meu espanto quando, numa proeza louvável da minha visão periférica, verifico que ao meu lado, num banco single, se encontrava não um, mas dois italianos, ali, compreendidos naquele espaço.

Não chegando, o terceiro indivíduo (possivelmente judeu, já que ia em pé) deve ter achado todo aquele momento digno de ser guardado para a eternidade, talvez porque achava toda a envolvente exterior bastante bonita, ou porque lá na terra de onde eles vêm só devem andar de gôndola e não têm metropolitanos. Por isso, decidiu tirar uma fotografia aos seus conterrâneos e companheiros. Ora, onde é que eu entro neste acontecimento todo? No canto inferior esquerdo da fotografia, claro está. Pois claro, ora se tinha uma série de membros em cima, parece-me a mim, que por mais dotes que ele tivesse para a fotografia, eu terei, invariavelmente, aparecido na imagem com um ar infeliz, miserável e com a bochecha levemente comprimida.

Ora eu achei tudo aquilo uma tremenda falta de chá. Posto isto, levantei-me com convicção e auto estima como se fosse sair na próxima paragem. Lixei-me. Estava em São Sebastião. Faltavam precisamente 5 estações para a Baixa-Chiado. Fui o resto do caminho em pé.

08/04/2008

Com pó, rugas e teias #1

Quem me conhece ou lida comigo por mais de 10 minutos, depressa concordará comigo que se eu fosse um objecto, seria uma daquelas caixas de cartão que, ainda que novas e compradas em promoção, levam com as fotografias, filmes, amuletos, recuerdos, souvennirs e quinquilharias e que vão especificamente para a prateleira mais obscura ou para o sotão mais sujo, ganhar pó por não menos que um bom par de anos. Preferia mil vezes ser um ursinho de pelúcia... mas há quem tenha alergia a mim.

É que ao que parece, eu sou uma pessoa nostálgica! Gosto muito de coisas antigas! Gosto das minhas lembranças! Gosto até de lembranças que nunca chegaram a ser minhas, e que só as conheço porque certamente as vi como lembranças dos mais velhos. Gosto de ver o fenómeno do que um dia foi considerado moda, hoje ser repugnante, e daqui a uns anos voltar a ser o ultimo grito. Gosto dos Twenties, gosto dos Thirties, gosto dos Fifties, dos Sixties, dos Seventies, adoro os Eighties e idolatro os Nineties. Curiosamente, os Fourties não me dizem nada. Essa fornada deve ter sido inútil. Vou ter alguns problemas para denominar a presente década no futuro. Principalmente em inglês. Com sorte, pode ser que não goste de nada de agora!

Por isso, doravante e quando achar pertinente, vou presentear-vos com pequenos tesourinhos (alguns que ainda persistem ) que me comovem e que têm a capacidade de me transformar numa criatura obsoleta, ridícula e, ás vezes até, com alguns reflexos fushcia e azul eléctrico!


E aqui fica o primeiro premiado:

Leite Vigor! Mas o quarto de leite Vigor, e aqueles que vinham em pacotinhos pequenos em forma de casinha! Aliás, acho pequenos de mais para serem um quarto de leite, mas não me lembro de ouvir ninguém dizer que era um quinto ou um sexto, portanto deve ser mesmo assim.

Por outro lado, lembro-me também com carinho daqueles pacotes de litro ao estilo pacote de ervilhas que se serviam num suporte de plástico com uma pega! Era assim que as funcionárias da escola me serviam o leite à hora do lanche, quando eu me esquecia do cestinho em casa (sim, esse será também alvo de reflexão posteriormente).

Antes de mais aproveito para insultar a oferta de imagens por parte do Google, que é miserável. O mais próximo que consegui do pacote de litro foi um de natas frescas, mas pronto, dá para criar uma semelhança:

Aqui está ele!



Um beijinho!

03/12/2007

As Flores

As flores são bonitas. As flores têm muitas cores. As flores vivem nos campos e nos vasos da minha mãe. Também já vi muitas flores a viverem nos supermercados e nas mãos de senhores muçulmanos. Mas os senhores muçulmanos vendem só dez flores, e tudo a dois euros. Eu até posso só ter 9 anos, mas a minha avó dá-me cinco euros de mesada e não me chega para as gomas, por isso juntando dois mais dois, noves fora (que eu sou boa aluna a matemática), acho que o senhor muçulmano não ganha para os campos e vasos onde as flores vivem. Em vez disso eu acho que eles vão buscar as flores aos cemitérios, que eu as vezes vejo-os á noite a saltar de campa em campa. A minha mãe também diz que só podem ser eles, já que nos rituais Satânicos não se usam brincos pisca-pisca. Eu até acho que é bem pensado, já que os mortos não agradecem as flores e os vivos que lá vão têm os olhos demasiado embaciados com lágrimas para verem qualquer cor que as flores possam ter. Como a minha avó diz, é mal-empregado, já para não falar das abelhas todas lá de volta, que não devem deixar os mortos dormir em paz com tanto zumbido. Quando eu for morta não quero cá flores, porque depois não me posso mexer para enxotar as abelhas, e se assobiar, provavelmente engulo terra.

Eu não sei muito bem, mas gostava de saber se existem flores em forma de pessoas. É que já mais que uma vez que oiço homens chamarem florzinha de merda ao meu pai quando ele sai à rua com os seus mocassins púrpura. Não percebo muito bem, se o meu pai fosse uma flor fazia chichi em pé porque as flores nunca se sentam, e não é isso que sucede.

As flores cheiram bem. As flores ás vezes fazem espirrar. Por isso também não percebo porque é que fazem lenços de papel com cheiro a flores para as pessoas que estão constipadas usarem.

As flores dão para fazer mel, chás e também servem de meio de transporte . Eu sei isso porque ás vezes oiço o meu irmão mais velho dizer aos amigos que viajou até bué longe com o pólen que ele comprou. Eu não sei como é que ele conseguiu fazer isso sem que nenhum de nós lá de casa desse conta, mas só sei que nos enganou muito bem. Acho que tenho muito a aprender com ele!

Há quem ofereça flores por várias razões: os filhos oferecem aos pais quando fazem anos, os rapazes oferecem às meninas quando querem namorar com elas, toda a gente oferece aos mortos quando eles morrem e todos os clientes oferecem às gestoras de conta porque é assim, ou pelo menos é o que diz a minha mãe todas as semanas quando recebe flores lá em casa de vários homens diferentes. A minha mãe deve ser uma grande gestora! Por isso e que quase nunca está em casa!

As flores são muito bonitas e eu gosto muito delas!

26/11/2007

Choice of Weapons

Quando a nossa professora de Inglês Criativo nos dá um poema extremamente original como este

Sticks and stones are hard on bone
Aimed with angry art
Words can sting like anything
Silence braks the heart

e nos pede para fazermos o que quisermos com ele, para além da imagem visual imediata que tenho das minhas mãos a amarfanharem o papel com a dita quadra e a atirarem-no para o mais próximo do horizonte possível, surgem outras ideias igualmente parvas como esta




E tenho dito! Tó Brigada.

18/11/2007

Glossário de Algibeira

Javali (segundo o meu petiz irmão de 5 anos) : Porco em forma de ouriço.

Pois claro! Assim não restam margens para dúvidas! Claro como a água!

O mundo seria tão mais bonito se toda a gente passasse a dizer "pequena égua ruça de chifres" quando se quisesse referir a uma cabra...

08/11/2007

6º Mistério - O d'O Dialecto Infantil

Parece-me a mim que já quase toda a gente foi criança algures na vida! Uns numa época, outros noutra, mas um fenómeno curioso é que, ao contrário das indumentárias, cortes de cabelo, modas de nomes, há duas coisas que permanecem invariavelmente intemporais e intocáveis: as pirraças e as lenga-lengas.

Vamos por partes:

Lengalengas - Desde que me conheço a mim, a minha mãe se conhece a ela e o meu irmão igualmente (ainda que mal, que ele acha que é uma vulgar criança de 5 anos mas na verdade esconde em si o Senhor das Trevas), que cantamos as mesmas músicas enquanto marcamos o compasso com palmas numa rodinha de piquenos. Quem não conhece o " Se tu visses o que eu vi, oh dominó", ou mesmo o "Era uma velha-lha, que tinha um gato-to"? Aposto que o Sancho Primeiro ainda mal sabia manejar a espada, já ele entoava o "Enrola o melão, desenrola a melancia" juntamente com os outros seus irmãos e infantes, Afonsinho, Urraca e Teresinha. Não se vê logo que o "A-ona-ona-" é indiscutivelmente Português arcaico a descair para o Latim?!

Pirraças e ofensas - Todos sabemos que as crianças ainda não compreendem em si uma série de bases e alicerces gramaticais, sintácticos e semânticos. A conjugação verbal nem sempre ser perfeita, e as sílabas ainda têm um carácter móvel dentro das palavras. Mas ainda estou por descobrir qual o mecanismo Freudiano ou esquizofrénico que os faz conceber e apregoar insultos como:

  • Mariquinhas pé de salsa (porque os molhos de ervas aromáticas em geral são extremamente comoventes)
  • (...) O teu pai é jacaré (e tu és um mutante cromossómico)
  • Lava a cara com chulé (amacia a pele e dilata os poros)
  • Songa-monga (nem Pessoa faria rimas melhores)
  • Rebenta a Bolha (porque é um fenómeno extremamente periogoso para todos os utentes da via pública e há que deixar tudo o que estão a fazer)

Enfim, muitos mais existirão de que não me recordo agora, mas que apelo desde já para que qualquer expressão desta estirpe que considerem merecedora de partilha, deixem por favor num comentário, de forma a enriquecer este documento.

07/11/2007

5º Mistério - O d'O 93

Olhares atentos, clima de tensão, batimentos cardíacos irregulares, tiques nervosos, jogo de futebol. É este o cenário macabro, mas apenas para alguns dos presentes, claro está, que na outra ponta do sofá estou eu, numa postura descontraída, provavelmente a arranjar as unhas ou a aproveitar aquela fabulosa oportunidade para roubar as chaves do carro a alguém e ir fazer uma escapadinha às termas do Gerês. É que naqueles 90 minutos toda aquela gente parece congelar no tempo e numa dimensão paralela, e eu até poderia fazer-lhes pinturas faciais, traficar droga ou vandalizar-lhes a casa mesmo à sua frente, que só dariam conta disso ao apito final do senhor árbitro.

Eu sinceramente, não me ralo. Só me junto à família porque seria um desgosto por demais para o senhor meu pai saber que a primogénita não apoiava o Sporting Clube Portugal. Valha-lhe Deus Nosso Senhor! Então pronto, lá fico eu gozando daquele momento só para mim em que ninguém me há-de chatear, e quando ocasionalmente o meu pai ou alguém desce à terra por questões de primeira necessidade apenas, lá entro eu na personagem, atiro um sonoro e enfático : "É FORA DE JOGO! LADRÕES! ÁRBITRO FILHO DA PUTA! " e pronto, toda a gente acredita e o meu pai fica muito orgulhoso de mim!

Mas entre estes serões em família extremamente saudáveis e de comunhão exemplar, vou reparando em alguns pormenores daquele entretenimento demoníaco que é o futebol.
Entre coxas, gémeos, comentários estruturados em frames de 0.0002 segundos, e dinheiro para limpar rabos, o que MAIS me intriga É..... o prolongamento.
É verdade... em toda a minha experiência de espectadora de pelada (que confesso não ser das mais atentas e fiéis) , nunca vi um jogo que terminasse de facto, aos 90 minutos como previsto. Há sempre 3 minutinhos a mais, aqueles 3 minutinhos mesmos feitos à medida do Bypass, aqueles 3 minutinhos em que tudo pode mudar e em que o mundo pode acabar!

Ora, pergunto eu aos meus botões que eles são mais sábios que eu, se não valeria mais a pena parar o cronómetro nos tempos mortos, e pronto vá, determinar os jogos para os 93 minutos, porque no fundo a gente até gosta e sempre dá para mais uma mini e uma mão cheia de tremoços!

16/10/2007

Até Os Cães Me Atraiçoam. O Que Me Torna Cada Vez Mais Semelhante a Cristo ='D

Entre muitas outras patologias, que o raio do canídeo parece estar amaldiçoado, consta que a Fiona tem carênica de Sal.

Onde é que isto é relevante, perguntam vocês?

Ela passava todo o seu tempo útil a lamber-nos cada poro quadrado de pele.

Afinal não era carinho e devoção. Era só interesse.

Sim, e deve querer significar algures que suamos muito... Ahh, benditas raízes latinas.

09/09/2007

Deus Tirou Férias.

Cristo está na Polinésia Francesa. É verdade! A igreja não pára de me surpreender. A minha avó, devota cristã, pôs-me hoje a par de uma situação um tanto ou quanto caricata: está bem que estamos em Setembro, e até que estão uns dias quentes, mas daí à igreja fechar para férias, francamente!

Imagine-se só! Está ali um praticante com um pecado ou dois entalado da goela, a ser massacrado com a sua consciencia celestina, e o senhor Prior a bronzear-se do pescoço para baixo algures na Praia dos Tomates. Andam as beatas e as velhinhas a contribuir com tanta dedicaçao nas esmolas para pagar uma semana num Resort de luxo a cada um dos acólitos! E pronto, ao fim de duas semanas lá volta o Senhor Padre à paróquia com uma tez bem mais bronzeada.

Digam-me lá, vá, quem é que distribui o corpo de Cristo para nos salvar do mal? Ah espera, se calhar puseram um doseador de hóstias à porta, daqueles com um Insert Coin, como fazem com os preservativos quando as farmácias não estão de serviço!

E a água benta, quem é que a benze? Fica lá a apodrecer na Pia Baptismal, a criar colónias de fungos e bactérias?

Será que quando o Clero tira férias de Deus, trocam o hábito por camisas com motivos florais e sungas malandras? Que é como quem diz, que aproveitam e têm duas semanas de puro pecado e sacrilégio? Já imagino o sacerdote rodeado de bifas e a benze-las de alto a baixo.

Logo hoje que eu nem me importava de ler o envagelho...

28/08/2007

Seja Feito Feriado

Vou instituir a partir de hoje, para todos os meus fiéis seguidores e devotos, dia 26 como dia Santo, e como tal deve ser celebrado a cada mês com alegria e fulgor. Tem-se revelado bastante próspero a diversos níveis. Deram-me uma licensa para matar em 4 rodas, peça fundamental para poder concretizar todos os meus planos malvados; encontrei um Jeremias perfeito para dar caldos e belinhas sem justificação aparente; e por fim, a razão da minha cozinha estar forrada a papéis de jornal e de acordar as 7 da manhã – não, não são obras nem infiltrações, comprei foi um cão. Com pipi.

Graças a qualquer coisa! Desde criança que sonhava com um canídeo para me aquecer os pés de noite e para eu descarregar pontuais surtos de afecto. Finalmente alguém ouviu as minhas preces e eis que surge uma bola de pêlo andante para me salvar das Trevas!
Pesa 700 gramas, anda neste mundo a lançar charme há 3 meses humanos, parece uma raposa mas diz que é cadela. Se bem que há uma protuberância curiosa na zona pélvica, que eu rezo para que seja algo semelhante a restos de cordão umbilical ou assim, porque há já dois dias que lhe ando a chamar Fiona e dorme numa alcofa cor-de-rosa. Eu pessoalmente se fosse rapaz não gostava.

É quase bípede, a avaliar pelo tempo que passa nas duas patas traseiras. Uma pequena fera, temperamento arisco mas carinhoso, dona do seu focinho e dos demais, está agora sentada ao meu colo gratuitamente! Faz mijinhas do tamanho de uma moeda, que ela deve achar algures no seu intelecto que ficam muito bem com a carpete da sala! A minha mãe não estava nada convencida, mas já a apanhei em flagrante delito, agarrada a ela e a grunhir algo como “bilu bilu cutxi cutxi” que nem eu que estou toda apaixonada me dou à coragem de proferir.

É um Lulu da Pomerânia, na gíria, um ratinho com Pedigree! Eu não gostava muito de cães de bolso, mas esta raposa derreteu-me! Não ladra, e terá eternamente ar de cachorro! Já me imagino qual Paris Hilton, passeando nas ruas da Baixa vestida de cor-de-rosa- “Cheguei”, com a sua cabecinha felpuda a sair da pochete e opinando sobre os modelitos das montras. Ok chega de dispersão fútil e inútil.

Não pensem que é um mero animal de companhia! Tem muitas outras funcionalidades! Para além de me instituir algum sentimento maternal e de responsabilidade, é um excelente cão de guarda, bem feroz e medonho! Os caninos dela trespaçam qualquer bolacha maria que se lhe atravesse à frente! Por isso aposto que com os pulos que ela dá, qualquer escroto de um bandido é rosbife para ela. Serve também de espanador para cantos difíceis, e em caso de miséria renderá certamente uns bons trocos no circo ou a segurar copinhos no meu ombro enquanto eu toco concertina na Linha Azul do Metro de Lisboa.

Teve uma história atribulada. Basicamente comprei-a em saldos! Ou coisa que o valha. Já há algum tempo que a andava a engatar na montra da loja do Centro Comercial. Sempre a morder as caudas dos primos, e a saltar de cubículo para cubículo. Mas pediam muitos Euros por aquele nico de bicho. Na ordem das 6 centenas de tustos! E eu tábem. Nisto desatei a ligar a criadores da raça, na esperança de encontrar bichinhos igualmente apetitosos mas com valores bem mais modestos. Só consegui falar para um, que pedia metade do preço. Aí já me soou melhor. Mas ainda assim, não era Aquela que eu tinha embeiçado. Mas pronto, 300 Euros ainda dá para muitos Martinis, lá engoli em seco e perguntei onde poderia ver os cachorros. Ao que do outro lado da linha, o indivíduo me responde em tom de secretismo: “Olhe, eu não os tenho agora comigo, mas passe discretamente pela loja de animais do Fonte Nova”. Ora o Fonte Nova não é grande, e só uma das lojas é que cheira a pássaros. Juntanto dois mais dois, noves fora, eu diria que a loja era a mesma. Não é que neste raio de país piqueno, o criador que eu fui ligar, era precisamente o criador dos cães que estavam em exposição na loja? Ele foi lá buscá-la e vendeu-nos ao preço de fábrica. PIÇADA NA LOJA, TOMA E EMBRULHA!

Sempre disse que o Poder Divino ainda me iria vir a dar jeito!


27/07/2007

Glossário de Algibeira

Estrelas-cadentes: Beatas que Deus manda para o ar quando não tem um cinzeiro à mão.

Corolário nº1: Deus Fuma.
Corolário nº2: Deus vai ter morte lenta e dolorosa.




2-0*

24/07/2007

Vox Pop

O povo português não pára de me surpreender. Até lacrimejo!

Hoje, ia eu de bem com a vida a entrar numa loja de sapatos ali para os lados da Charneca, quando presenceio um momento de glória popular:

Cliente (senhora de aparência rural a avaliar pelas unhas maltratadas, pornúncia singular, odor intenso e bigode farto) :
- Olhe ó menina eu queria um par de sapatos, saixabore.

Empregada: Muito bem. Então e para que é que procura os sapatos, exactamente?

Cliente: Olhe eram assim para andar!


...


(pausa de reflexão)

Ora desta é que eu não estava a espera! Sapatos para andar? E eu que sempre julguei que fossem para usar como brincos ou para guardar as moedas pretas ao fim do dia. Ou para suportar velas ou pousar a colher de pau!

Agora para andar?!
Francamente. Ele há com cada uma...

23/07/2007

4º Mistério - O d'A Praia

Julho, Verão, férias (para os mais afortunados), sol em quantidade, roupa em raridade, bronze em prioridade, e numa regra de três simples, assim como todos os caminhos estão para Roma, todos os dias estão para a praia.

E durante as muitas sessões de solário natural às quais me entrego de alma e coração sob juramento de fidelidade, qual réptil de sangue frio, tenho de entreter o raciocínio com alguma coisa para me assegurar de que ele não derrete ou me sai pelos poros na forma de vapor. Mas nem preciso de me esforçar muito, geralmente o caricato vem me parar as mãos por mero acaso, não sei bem porquê.

Em primeiro lugar, gostaria de prestar tributo a todas as famílias numerosas, com um mínimo de duas cabeças de novilho bem sonantes, que calorosa e afávelmente, num raio de 500 metros de areia branca e livre, se vêm juntar de trouxa e bagagem, esteira e tupperware, ao pedacinho de tranquilidade por nós escolhido a dedo. Eu que seleciono sempre aquele lugarzinho ao sol, com um máximo de 10 cabeças por hectare, não demasiado longe da água para não queimar os pés, nem demasiado perto para não jogar o meu mp3 corrente fora quando a maré se vem, com poucos pauzinhos e urtigas para não picar e com vista sobre o nadador salvador e os seus tostadinhos peitorais. Mas para quebrar todo este cenário paradisiaco, há sempre uns inquilinos mal-vindos e mal-cheirosos, com crianças nuas e pataniscas de bacalhau num tupperware, que os malcriadões nem oferecem como cortesia de vizinhos com que os filmes americanos nos mimaram. Às vezes ainda têm o mau-carácter de se irem banhar em conjunto e pedir para dar um olhinho nas coisas. Já por muitas vezes me passaram pela cabeça pensamentos diabólicos como escrever mensagens hostis e em hebraico no quebra-vento e vandalizar as cadeiras de lona, para que saibam que não são benvindos naquela terra. E de caminho roubar uma patanisca.

Outra curiosidade que me intriga bastante, é que na praia toda a conversa se ouve. Aliás, desconfio que é nas praias que nascem os boatos e as más línguas!

Sem esquecer a mediática obra do destino que nos presegue a todos e às nossas toalhas, que no compasso de tempo entre estender o trapo e embrulhar o traseiro nele, lança sempre uma quantidade simbólica de grãozinhos de areia para decorar o estaminé.

Um momento.

Bem, adorava continuar aqui à conversa porque esta é sem dúvida uma temática com pano para mangas, mas vem aí um meteoro e o mundo precisa de mim que já o oiço chamar! Até mais!

To Be Continued....

14/06/2007

Bloco de Notas

Tema: Festividades inerentes aos Santos Populares

"Santo António já se acabou, o São Pedro está se acabar, São João, São João, São João, dá cá um balão para eu brincaaar! "

Se a minha infância alfacinha serviu para alguma coisa, acho que a música é assim!

Ora, a propósito deste mês tipicamente bem disposto e bairrista, com cheiro a sardinhas e sabores tradicionais, venho deixar aqui umas breves observações (feitas por mim numa profissionalíssima experiência de campo) para consulta pública dos mais audazes adeptos dos arraiais e devotos de Suas Santidades.

Bom Apetite!


Apontamento número 1: Nunca, jamais, em tempo algum (e todo o tipo de advérbios de tempo de igual significado) levar socas, chinelos, 'havaianas' ou qualquer outro género de calçado aberto para as imediações do Castelo, Rossio, Alfama, Graça, Bairro Alto e todos os outros potenciais núcleos de gente alcoolicamente aconchegada, em grande número e temporária e compreensívelmente sem grande noção de civismo.


Apontamento número 2: Nunca tentar alcançar o Castelo por maior que seja a vossa boa vontade. É uma traiçoeira armadilha: por questões de segurança, motins de gente dificultam o acesso, mas para os mais corajosos que ainda assim conseguem alcançar o seu destino, quando no alto das masmorras parece subitamente que se abrem fossos gigantes a toda a volta debruados a arame farpado e cheios de crocodilos e piranhas. Basicamente se chegarem lá, tão depressa de lá não saem! Poucos sobrevivem para contar a história.
Apontamento número 2, alínea a) Se porventura decidirem ignorar o apontamento número dois e ousar partir à conquista, preferir os caminhos alternativos disponíveis, tais como: Ruelas, Ruas estreitas sem iluminação, crowd surfing, escadarias vertiginosas, sargetas, andaimes e estendais. Evitar portanto áreas cuja concentração de pessoas seja superior a 5 cabeças por metro quadrado de calçada.


Apontamento número 3: Defecar previamente e em território próprio, todo o tipo de detritos fisiológicos que possam vir a representar embaraço ou ameaça. Dificilmente se encontrará estabelecimentos com sanitários operacionais e cujo tempo de espera não supere a capacidade máxima física de aguentar e armazenar a matéria fecal no respectivo orgão excretor destinado ao efeito.
Apontamento número 3, alínea a) Se por causa natural ou induzida se tornar imperativo defecar em campo, procurar estabelecimentos de ar sombrio e sinistro pouco movimentados, e ignorar todos os possíveis índices de criminalidade que possam aparentar. Em caso de pânico, usar cantos de monumentos nacionais - para eles, e espaços entre carros estacionados ou canteiros - para elas (em circunstância de inibição, pedir aos demais uma rodinha à volta e um "shhh" em coro e numa só voz.
Apontamento número 3, alínea b) Levar uma módica quantia de parte para os rabinhos mais requintados que preferirem utilizar os sanitários de uma qualquer propriedade privada e desconhecida, temporáriamente aberta ao público, ignorando todos os príncipios pelos nossos pais ensinados, tais como "nunca entres em casa de estranhos".


Apontamento número 4: Levar uma pacote de lenços de papel perfumados ou não, e/ou clinex's para limpar qualquer tipo de sujidades pontuais, tais como: vómito próprio e/ou alheio, sangria, ginja ou outra bebida própria e/ou alheia, cuspo alheio (não creio que algúem cuspa para o ar só para testar a validade do provérbio português), e todo o tipo de substâncias que representem uma ameaça para a higiene mínima de cada um. Considerar igualmente a prevenção com uma muda de roupa.


Apontamento número 5: Ter especial atenção a ocasionais surtos de arremesso de objectos, tais como garrafas, latas, copos de plástico, sardinhas, pão, bifanas, sapatos, pessoas, animais domésticos e Cocktails Molotoff. Se necessário proteger a cabeça e rezar numa das 3 religiões à escolha: Islamismo, Cristianismo ou Judaísmo.


Apontamento número 6: Procurar evitar áreas com grande quantidade de garrafas partidas ou detioradas, principalmente quando desrespeitado o apontamento número 1.


Apontamento número 7: Possuir uma, duas ou mais pastilhas de Gurosan ou Alka-Seltzer prontas a consumir e/ou partilhar. À venda nas farmácias e sem necessidade de prescrição médica.


Apontamento número 8: Em caso de se considerar a si e aos seus, pessoas facilmente seduzidas por álcool ou substâncias psicotrópicas, munir-se previamente de coleira ou chip identificadores.


Apontamento número 9: Levar trapos velhos, cabelo oleoso e desgrunhado e pintura tribal a fim de reduzir em massa os assédios. Esboçar caretas medonhas também potencializa o sucesso nesta matéria.


Apontamento número 10: Levar consigo máquina fotográfica antiga (quanto maior e mais se assemelhar com um tijolo, melhor) para que possa evitar danos a longo prazo e simultâneamente gravar os momentos memoráveis e usá-la como arma.


Apontamento número 11: Providenciar meios de comunicação eficazes e alternos ao inútil telemóvel, tais como: Megafones, telefones de copos com fio extensível até uma distância de 50 metros, tapetes para sinais de fumo, pombos correio e aviõezinhos de papel.


Apontamento número 12: Planificar antecipadamente a forma de regresso, e se necessário fazer uma vaquinha e alugar um motorista, ou munir-se de patins, trotinetas, bicicletas, burricos ou outros veículos de tracção animal. Levar agasalhos e calçado confortável para uma cómoda peregrinação até à praça de táxis vazia mais próxima, local esse que pode variar entre a Avenida da Liberdade e Campo de Ourique.



Penso que com este Kit de sobrevivência todos poderão disfrutar dos Santos Populares em condições!


Antenciosamente, Santa Fá.