09/04/2008
Lasagna al carbonara ( não sei dizer mais nada em Italiano além do que está na carta do Don Alfredo, teve de ser.)
Com toda a ameaça cardiovascular que andar de carro em Lisboa representa, fui obrigada a deixá-lo no meu block, e vendi-me aos transportes públicos, nomeadamente, ao metropolitano.
Vinha eu alegremente a desfrutar da paisagem, quando entrou uma matilha de 3 italianos jovens e despenteados. Eu, sentada no banco junto ao separador, fui surpreendida por um deles que se jogou de tal forma no banco ao lado que chegou mesmo a invadir o meu espaço pessoal. Quero com isto dizer que fiquei literalmente esmagada contra o separador, numa posição nada sensual e totalmente deselegante.
Com a face prensada num tal ângulo, era-me impossível já olhar em redor, e senti-me subitamente ainda mais em vácuo. Qual o meu espanto quando, numa proeza louvável da minha visão periférica, verifico que ao meu lado, num banco single, se encontrava não um, mas dois italianos, ali, compreendidos naquele espaço.
Não chegando, o terceiro indivíduo (possivelmente judeu, já que ia em pé) deve ter achado todo aquele momento digno de ser guardado para a eternidade, talvez porque achava toda a envolvente exterior bastante bonita, ou porque lá na terra de onde eles vêm só devem andar de gôndola e não têm metropolitanos. Por isso, decidiu tirar uma fotografia aos seus conterrâneos e companheiros. Ora, onde é que eu entro neste acontecimento todo? No canto inferior esquerdo da fotografia, claro está. Pois claro, ora se tinha uma série de membros em cima, parece-me a mim, que por mais dotes que ele tivesse para a fotografia, eu terei, invariavelmente, aparecido na imagem com um ar infeliz, miserável e com a bochecha levemente comprimida.
Ora eu achei tudo aquilo uma tremenda falta de chá. Posto isto, levantei-me com convicção e auto estima como se fosse sair na próxima paragem. Lixei-me. Estava em São Sebastião. Faltavam precisamente 5 estações para a Baixa-Chiado. Fui o resto do caminho em pé.
08/04/2008
Com pó, rugas e teias #1
Quem me conhece ou lida comigo por mais de 10 minutos, depressa concordará comigo que se eu fosse um objecto, seria uma daquelas caixas de cartão que, ainda que novas e compradas em promoção, levam com as fotografias, filmes, amuletos, recuerdos, souvennirs e quinquilharias e que vão especificamente para a prateleira mais obscura ou para o sotão mais sujo, ganhar pó por não menos que um bom par de anos. Preferia mil vezes ser um ursinho de pelúcia... mas há quem tenha alergia a mim.
É que ao que parece, eu sou uma pessoa nostálgica! Gosto muito de coisas antigas! Gosto das minhas lembranças! Gosto até de lembranças que nunca chegaram a ser minhas, e que só as conheço porque certamente as vi como lembranças dos mais velhos. Gosto de ver o fenómeno do que um dia foi considerado moda, hoje ser repugnante, e daqui a uns anos voltar a ser o ultimo grito. Gosto dos Twenties, gosto dos Thirties, gosto dos Fifties, dos Sixties, dos Seventies, adoro os Eighties e idolatro os Nineties. Curiosamente, os Fourties não me dizem nada. Essa fornada deve ter sido inútil. Vou ter alguns problemas para denominar a presente década no futuro. Principalmente em inglês. Com sorte, pode ser que não goste de nada de agora!
Por isso, doravante e quando achar pertinente, vou presentear-vos com pequenos tesourinhos (alguns que ainda persistem ) que me comovem e que têm a capacidade de me transformar numa criatura obsoleta, ridícula e, ás vezes até, com alguns reflexos fushcia e azul eléctrico!
E aqui fica o primeiro premiado:
Leite Vigor! Mas o quarto de leite Vigor, e aqueles que vinham em pacotinhos pequenos em forma de casinha! Aliás, acho pequenos de mais para serem um quarto de leite, mas não me lembro de ouvir ninguém dizer que era um quinto ou um sexto, portanto deve ser mesmo assim.
Por outro lado, lembro-me também com carinho daqueles pacotes de litro ao estilo pacote de ervilhas que se serviam num suporte de plástico com uma pega! Era assim que as funcionárias da escola me serviam o leite à hora do lanche, quando eu me esquecia do cestinho em casa (sim, esse será também alvo de reflexão posteriormente).
Antes de mais aproveito para insultar a oferta de imagens por parte do Google, que é miserável. O mais próximo que consegui do pacote de litro foi um de natas frescas, mas pronto, dá para criar uma semelhança:
03/12/2007
As Flores
Eu não sei muito bem, mas gostava de saber se existem flores em forma de pessoas. É que já mais que uma vez que oiço homens chamarem florzinha de merda ao meu pai quando ele sai à rua com os seus mocassins púrpura. Não percebo muito bem, se o meu pai fosse uma flor fazia chichi em pé porque as flores nunca se sentam, e não é isso que sucede.
As flores cheiram bem. As flores ás vezes fazem espirrar. Por isso também não percebo porque é que fazem lenços de papel com cheiro a flores para as pessoas que estão constipadas usarem.
As flores dão para fazer mel, chás e também servem de meio de transporte . Eu sei isso porque ás vezes oiço o meu irmão mais velho dizer aos amigos que viajou até bué longe com o pólen que ele comprou. Eu não sei como é que ele conseguiu fazer isso sem que nenhum de nós lá de casa desse conta, mas só sei que nos enganou muito bem. Acho que tenho muito a aprender com ele!
Há quem ofereça flores por várias razões: os filhos oferecem aos pais quando fazem anos, os rapazes oferecem às meninas quando querem namorar com elas, toda a gente oferece aos mortos quando eles morrem e todos os clientes oferecem às gestoras de conta porque é assim, ou pelo menos é o que diz a minha mãe todas as semanas quando recebe flores lá em casa de vários homens diferentes. A minha mãe deve ser uma grande gestora! Por isso e que quase nunca está em casa!
As flores são muito bonitas e eu gosto muito delas!
26/11/2007
Choice of Weapons
Sticks and stones are hard on bone
Aimed with angry art
Words can sting like anything
Silence braks the heart
e nos pede para fazermos o que quisermos com ele, para além da imagem visual imediata que tenho das minhas mãos a amarfanharem o papel com a dita quadra e a atirarem-no para o mais próximo do horizonte possível, surgem outras ideias igualmente parvas como esta
E tenho dito! Tó Brigada.
18/11/2007
Glossário de Algibeira
Pois claro! Assim não restam margens para dúvidas! Claro como a água!
O mundo seria tão mais bonito se toda a gente passasse a dizer "pequena égua ruça de chifres" quando se quisesse referir a uma cabra...
08/11/2007
6º Mistério - O d'O Dialecto Infantil
Vamos por partes:
Lengalengas - Desde que me conheço a mim, a minha mãe se conhece a ela e o meu irmão igualmente (ainda que mal, que ele acha que é uma vulgar criança de 5 anos mas na verdade esconde em si o Senhor das Trevas), que cantamos as mesmas músicas enquanto marcamos o compasso com palmas numa rodinha de piquenos. Quem não conhece o " Se tu visses o que eu vi, oh dominó", ou mesmo o "Era uma velha-lha, que tinha um gato-to"? Aposto que o Sancho Primeiro ainda mal sabia manejar a espada, já ele entoava o "Enrola o melão, desenrola a melancia" juntamente com os outros seus irmãos e infantes, Afonsinho, Urraca e Teresinha. Não se vê logo que o "A-ona-ona-dé" é indiscutivelmente Português arcaico a descair para o Latim?!
Pirraças e ofensas - Todos sabemos que as crianças ainda não compreendem em si uma série de bases e alicerces gramaticais, sintácticos e semânticos. A conjugação verbal nem sempre ser perfeita, e as sílabas ainda têm um carácter móvel dentro das palavras. Mas ainda estou por descobrir qual o mecanismo Freudiano ou esquizofrénico que os faz conceber e apregoar insultos como:
- Mariquinhas pé de salsa (porque os molhos de ervas aromáticas em geral são extremamente comoventes)
- (...) O teu pai é jacaré (e tu és um mutante cromossómico)
- Lava a cara com chulé (amacia a pele e dilata os poros)
- Songa-monga (nem Pessoa faria rimas melhores)
- Rebenta a Bolha (porque é um fenómeno extremamente periogoso para todos os utentes da via pública e há que deixar tudo o que estão a fazer)
Enfim, muitos mais existirão de que não me recordo agora, mas que apelo desde já para que qualquer expressão desta estirpe que considerem merecedora de partilha, deixem por favor num comentário, de forma a enriquecer este documento.
07/11/2007
5º Mistério - O d'O 93
Eu sinceramente, não me ralo. Só me junto à família porque seria um desgosto por demais para o senhor meu pai saber que a primogénita não apoiava o Sporting Clube Portugal. Valha-lhe Deus Nosso Senhor! Então pronto, lá fico eu gozando daquele momento só para mim em que ninguém me há-de chatear, e quando ocasionalmente o meu pai ou alguém desce à terra por questões de primeira necessidade apenas, lá entro eu na personagem, atiro um sonoro e enfático : "É FORA DE JOGO! LADRÕES! ÁRBITRO FILHO DA PUTA! " e pronto, toda a gente acredita e o meu pai fica muito orgulhoso de mim!
Mas entre estes serões em família extremamente saudáveis e de comunhão exemplar, vou reparando em alguns pormenores daquele entretenimento demoníaco que é o futebol.
Entre coxas, gémeos, comentários estruturados em frames de 0.0002 segundos, e dinheiro para limpar rabos, o que MAIS me intriga É..... o prolongamento.
É verdade... em toda a minha experiência de espectadora de pelada (que confesso não ser das mais atentas e fiéis) , nunca vi um jogo que terminasse de facto, aos 90 minutos como previsto. Há sempre 3 minutinhos a mais, aqueles 3 minutinhos mesmos feitos à medida do Bypass, aqueles 3 minutinhos em que tudo pode mudar e em que o mundo pode acabar!
Ora, pergunto eu aos meus botões que eles são mais sábios que eu, se não valeria mais a pena parar o cronómetro nos tempos mortos, e pronto vá, determinar os jogos para os 93 minutos, porque no fundo a gente até gosta e sempre dá para mais uma mini e uma mão cheia de tremoços!
16/10/2007
Até Os Cães Me Atraiçoam. O Que Me Torna Cada Vez Mais Semelhante a Cristo ='D
Onde é que isto é relevante, perguntam vocês?
Ela passava todo o seu tempo útil a lamber-nos cada poro quadrado de pele.
Afinal não era carinho e devoção. Era só interesse.
Sim, e deve querer significar algures que suamos muito... Ahh, benditas raízes latinas.
09/09/2007
Deus Tirou Férias.
Imagine-se só! Está ali um praticante com um pecado ou dois entalado da goela, a ser massacrado com a sua consciencia celestina, e o senhor Prior a bronzear-se do pescoço para baixo algures na Praia dos Tomates. Andam as beatas e as velhinhas a contribuir com tanta dedicaçao nas esmolas para pagar uma semana num Resort de luxo a cada um dos acólitos! E pronto, ao fim de duas semanas lá volta o Senhor Padre à paróquia com uma tez bem mais bronzeada.
Digam-me lá, vá, quem é que distribui o corpo de Cristo para nos salvar do mal? Ah espera, se calhar puseram um doseador de hóstias à porta, daqueles com um Insert Coin, como fazem com os preservativos quando as farmácias não estão de serviço!
E a água benta, quem é que a benze? Fica lá a apodrecer na Pia Baptismal, a criar colónias de fungos e bactérias?
Será que quando o Clero tira férias de Deus, trocam o hábito por camisas com motivos florais e sungas malandras? Que é como quem diz, que aproveitam e têm duas semanas de puro pecado e sacrilégio? Já imagino o sacerdote rodeado de bifas e a benze-las de alto a baixo.
Logo hoje que eu nem me importava de ler o envagelho...
28/08/2007
Seja Feito Feriado
Pesa 700 gramas, anda neste mundo a lançar charme há 3 meses humanos, parece uma raposa mas diz que é cadela. Se bem que há uma protuberância curiosa na zona pélvica, que eu rezo para que seja algo semelhante a restos de cordão umbilical ou assim, porque há já dois dias que lhe ando a chamar Fiona e dorme numa alcofa cor-de-rosa. Eu pessoalmente se fosse rapaz não gostava.
27/07/2007
Glossário de Algibeira
Corolário nº1: Deus Fuma.
Corolário nº2: Deus vai ter morte lenta e dolorosa.
2-0*
24/07/2007
Vox Pop
Hoje, ia eu de bem com a vida a entrar numa loja de sapatos ali para os lados da Charneca, quando presenceio um momento de glória popular:
Cliente (senhora de aparência rural a avaliar pelas unhas maltratadas, pornúncia singular, odor intenso e bigode farto) :
- Olhe ó menina eu queria um par de sapatos, saixabore.
Empregada: Muito bem. Então e para que é que procura os sapatos, exactamente?
Cliente: Olhe eram assim para andar!
...
(pausa de reflexão)
Ora desta é que eu não estava a espera! Sapatos para andar? E eu que sempre julguei que fossem para usar como brincos ou para guardar as moedas pretas ao fim do dia. Ou para suportar velas ou pousar a colher de pau!
Agora para andar?!
Francamente. Ele há com cada uma...
23/07/2007
4º Mistério - O d'A Praia
E durante as muitas sessões de solário natural às quais me entrego de alma e coração sob juramento de fidelidade, qual réptil de sangue frio, tenho de entreter o raciocínio com alguma coisa para me assegurar de que ele não derrete ou me sai pelos poros na forma de vapor. Mas nem preciso de me esforçar muito, geralmente o caricato vem me parar as mãos por mero acaso, não sei bem porquê.
Em primeiro lugar, gostaria de prestar tributo a todas as famílias numerosas, com um mínimo de duas cabeças de novilho bem sonantes, que calorosa e afávelmente, num raio de 500 metros de areia branca e livre, se vêm juntar de trouxa e bagagem, esteira e tupperware, ao pedacinho de tranquilidade por nós escolhido a dedo. Eu que seleciono sempre aquele lugarzinho ao sol, com um máximo de 10 cabeças por hectare, não demasiado longe da água para não queimar os pés, nem demasiado perto para não jogar o meu mp3 corrente fora quando a maré se vem, com poucos pauzinhos e urtigas para não picar e com vista sobre o nadador salvador e os seus tostadinhos peitorais. Mas para quebrar todo este cenário paradisiaco, há sempre uns inquilinos mal-vindos e mal-cheirosos, com crianças nuas e pataniscas de bacalhau num tupperware, que os malcriadões nem oferecem como cortesia de vizinhos com que os filmes americanos nos mimaram. Às vezes ainda têm o mau-carácter de se irem banhar em conjunto e pedir para dar um olhinho nas coisas. Já por muitas vezes me passaram pela cabeça pensamentos diabólicos como escrever mensagens hostis e em hebraico no quebra-vento e vandalizar as cadeiras de lona, para que saibam que não são benvindos naquela terra. E de caminho roubar uma patanisca.
Outra curiosidade que me intriga bastante, é que na praia toda a conversa se ouve. Aliás, desconfio que é nas praias que nascem os boatos e as más línguas!
Sem esquecer a mediática obra do destino que nos presegue a todos e às nossas toalhas, que no compasso de tempo entre estender o trapo e embrulhar o traseiro nele, lança sempre uma quantidade simbólica de grãozinhos de areia para decorar o estaminé.
Um momento.
Bem, adorava continuar aqui à conversa porque esta é sem dúvida uma temática com pano para mangas, mas vem aí um meteoro e o mundo precisa de mim que já o oiço chamar! Até mais!
To Be Continued....
14/06/2007
Bloco de Notas
"Santo António já se acabou, o São Pedro está se acabar, São João, São João, São João, dá cá um balão para eu brincaaar! "
Se a minha infância alfacinha serviu para alguma coisa, acho que a música é assim!
Ora, a propósito deste mês tipicamente bem disposto e bairrista, com cheiro a sardinhas e sabores tradicionais, venho deixar aqui umas breves observações (feitas por mim numa profissionalíssima experiência de campo) para consulta pública dos mais audazes adeptos dos arraiais e devotos de Suas Santidades.
Bom Apetite!
Apontamento número 1: Nunca, jamais, em tempo algum (e todo o tipo de advérbios de tempo de igual significado) levar socas, chinelos, 'havaianas' ou qualquer outro género de calçado aberto para as imediações do Castelo, Rossio, Alfama, Graça, Bairro Alto e todos os outros potenciais núcleos de gente alcoolicamente aconchegada, em grande número e temporária e compreensívelmente sem grande noção de civismo.
Apontamento número 2: Nunca tentar alcançar o Castelo por maior que seja a vossa boa vontade. É uma traiçoeira armadilha: por questões de segurança, motins de gente dificultam o acesso, mas para os mais corajosos que ainda assim conseguem alcançar o seu destino, quando no alto das masmorras parece subitamente que se abrem fossos gigantes a toda a volta debruados a arame farpado e cheios de crocodilos e piranhas. Basicamente se chegarem lá, tão depressa de lá não saem! Poucos sobrevivem para contar a história.
Apontamento número 2, alínea a) Se porventura decidirem ignorar o apontamento número dois e ousar partir à conquista, preferir os caminhos alternativos disponíveis, tais como: Ruelas, Ruas estreitas sem iluminação, crowd surfing, escadarias vertiginosas, sargetas, andaimes e estendais. Evitar portanto áreas cuja concentração de pessoas seja superior a 5 cabeças por metro quadrado de calçada.
Apontamento número 3: Defecar previamente e em território próprio, todo o tipo de detritos fisiológicos que possam vir a representar embaraço ou ameaça. Dificilmente se encontrará estabelecimentos com sanitários operacionais e cujo tempo de espera não supere a capacidade máxima física de aguentar e armazenar a matéria fecal no respectivo orgão excretor destinado ao efeito.
Apontamento número 3, alínea a) Se por causa natural ou induzida se tornar imperativo defecar em campo, procurar estabelecimentos de ar sombrio e sinistro pouco movimentados, e ignorar todos os possíveis índices de criminalidade que possam aparentar. Em caso de pânico, usar cantos de monumentos nacionais - para eles, e espaços entre carros estacionados ou canteiros - para elas (em circunstância de inibição, pedir aos demais uma rodinha à volta e um "shhh" em coro e numa só voz.
Apontamento número 3, alínea b) Levar uma módica quantia de parte para os rabinhos mais requintados que preferirem utilizar os sanitários de uma qualquer propriedade privada e desconhecida, temporáriamente aberta ao público, ignorando todos os príncipios pelos nossos pais ensinados, tais como "nunca entres em casa de estranhos".
Apontamento número 4: Levar uma pacote de lenços de papel perfumados ou não, e/ou clinex's para limpar qualquer tipo de sujidades pontuais, tais como: vómito próprio e/ou alheio, sangria, ginja ou outra bebida própria e/ou alheia, cuspo alheio (não creio que algúem cuspa para o ar só para testar a validade do provérbio português), e todo o tipo de substâncias que representem uma ameaça para a higiene mínima de cada um. Considerar igualmente a prevenção com uma muda de roupa.
Apontamento número 5: Ter especial atenção a ocasionais surtos de arremesso de objectos, tais como garrafas, latas, copos de plástico, sardinhas, pão, bifanas, sapatos, pessoas, animais domésticos e Cocktails Molotoff. Se necessário proteger a cabeça e rezar numa das 3 religiões à escolha: Islamismo, Cristianismo ou Judaísmo.
Apontamento número 6: Procurar evitar áreas com grande quantidade de garrafas partidas ou detioradas, principalmente quando desrespeitado o apontamento número 1.
Apontamento número 7: Possuir uma, duas ou mais pastilhas de Gurosan ou Alka-Seltzer prontas a consumir e/ou partilhar. À venda nas farmácias e sem necessidade de prescrição médica.
Apontamento número 8: Em caso de se considerar a si e aos seus, pessoas facilmente seduzidas por álcool ou substâncias psicotrópicas, munir-se previamente de coleira ou chip identificadores.
Apontamento número 9: Levar trapos velhos, cabelo oleoso e desgrunhado e pintura tribal a fim de reduzir em massa os assédios. Esboçar caretas medonhas também potencializa o sucesso nesta matéria.
Apontamento número 10: Levar consigo máquina fotográfica antiga (quanto maior e mais se assemelhar com um tijolo, melhor) para que possa evitar danos a longo prazo e simultâneamente gravar os momentos memoráveis e usá-la como arma.
Apontamento número 11: Providenciar meios de comunicação eficazes e alternos ao inútil telemóvel, tais como: Megafones, telefones de copos com fio extensível até uma distância de 50 metros, tapetes para sinais de fumo, pombos correio e aviõezinhos de papel.
Apontamento número 12: Planificar antecipadamente a forma de regresso, e se necessário fazer uma vaquinha e alugar um motorista, ou munir-se de patins, trotinetas, bicicletas, burricos ou outros veículos de tracção animal. Levar agasalhos e calçado confortável para uma cómoda peregrinação até à praça de táxis vazia mais próxima, local esse que pode variar entre a Avenida da Liberdade e Campo de Ourique.
Penso que com este Kit de sobrevivência todos poderão disfrutar dos Santos Populares em condições!
Antenciosamente, Santa Fá.
22/05/2007
3º Mistério - O d'O Espelho
-Ya.
Era uma pergunta retórica, imbecil.
-Então porque é que perguntaste?”
Porque confiante e convencido são dois adjectivos diferentes. Um convencido dá enfase ao que ele quer que as pessoas admirem nele, o que muitas vezes elas nem sequer reparariam por si mesmas. Um convencido precisa de legendas. Um confiante tem imagem. Os que não são cegos que vejam à sua maneira, para ele tanto se lhe deu se o acham policromático ou transparente. Ele tem os negativos consigo.
O convencido procura a confirmaçao numa só voz de que ele é Hossana nas Alturas, ele é rouco e não consegue garantir isso a si mesmo. Pode até ser tudo o que deseja, mas está mais preocupado em ver as caras dos outros a admirá-lo do que virar os olhos para dentro.
O confiante sabe que tem falhas, tenta viver bem com elas. O convencido quer ser perfeito, quer ser o brinquedo mais brilhante da montra. Mas que ninguém desconfie! No fundo ele quer parecer naturalmente reluzente, ai de quem sonhe as vezes que cuspiu para o próprio braço para depois lhe dar lustre. Um convencido segue atalhos e caminhos alternos para dizer que ops! Vejam só: eu sei dizer alterno! Ele nega a sua qualidade de convencido como um judeu as suas origens em terra de ariano. Não admira, em terra de gente hipócrita, ser convencido é mau. E convencido que se preze é perfeito, qual Narciso contemporâneo.
O confiante chega a fazer-se descaradamente de convencido. Diz que é bom num minuto e diz que e merda no outro. É que ele sabe mais ou menos o que a sua casa gasta. O convencido tem uma tendência natural para o consumo compulsivo de qualidades que às vezes não digere bem.
Podia enumerar mais uma série de definições para um e para outro, mas a verdade é que no fim a linha que os separa é bastante ténue, somos confiantes até errar. Somos convencidos para corrigir os nossos erros.
Toda a gente tem um calcanhar de Aquiles. A Cindy Crawford também caga. E o Super-homem morreu à fome porque não sabia cozinhar.
02/05/2007
2º Mistério - O d'O Bombástico
Gostava de partilhar aqui com vocês uma pequena reflexão sobre um pormenor que não pude deixar passar na minha condição de instruanda atenta e dedicada do código da estrada.
Estava eu em mais uma penosa hora cheia de regras, contra-ordenações, rotundas, biforcações, entroncamentos, enforcamentos, etc., empenhada em tentar lutar contra a força da natureza que me prendia ao sono e que eu afastava de 5 em 5 segundos em compasso binário no sobressalto de quem tem vergonha do cansaço (e da boca semiaberta que algum bocejo de rabo grande faz sempre questão de deixar para trás).
Nisto, entre os meus sonhos formato curta-metragem que o tempo de antena das circunstâncias apenas permitiam, houve uma palavrinha que de alguma forma ressoou no meu ouvido em ponto morto: "Explosivos".
O meu sentido de sobrevivência (ou o meu sentido satírico, que na volta são um só) trouxe-me imediatamente ao mundo dos presentes de espírito rasgando o ritmo monótono da minha cabeça.
O instrutor acabara de fazer a seguinte pergunta de teste: " O sinal A6 (projecção de gravilha) representa: A- Pavimento escorregadio; B- Risco de projecção de gravilha; C- Transporte de explosivos? "
E eu pronto, lá atirei do fundo do meu anonimato adormecido "C !!" no meu habitual tom de gozo. Depois de uns quantos risos, talvez forçados, talvez pela minha ressurreição triunfal, a aula lá retomou o seu ritmo normal. Menos eu. Eu, movida pela temática aliciante da pergunta anterior, comecei logo a desviar-me sorrateiramente do rumo que era suposto, deliciando-me com as várias interpretações que aquela alínea oferecia . Mas depois de divagar por um ou outro caminho alternativo, lá me conformei que talvez fosse apenas um espirro de creatividade por parte do autor dos testes.
A aula prosseguia não mais interessante, mas com um pouco de mais atenção da minha parte (uma vez acordado o monstro, so resta rezar ), escondida atrás das perguntas pertinentes dos meus colegas, sorrateiramente e pacientemente em pose de predadora à espera de apenas mais uma presa, mais uma frase dúbia que me saciasse o sarcasmo.
E não é que para meu espanto e surpresa, surge novamente uma pergunta:
A placa modelo nº1 deve ser colocada em veículos que: A- Sejam veículos de transporte público de passageiros; B- Tenham um peso bruto de mais de 3500 kg; C- Transportem explosivos?
... Eu gargalhei. Em solo, mas gargalhei, foi mais forte que eu. Acho que uma ou outra alma terá reparado no mesmo, porque vi um ou outro esboço de sorriso tímido entre as caras agnósticas do resto da turminha.
Bem, começo a achar que o autor destes testes apresenta sintomas de piromania.
MAS CALMA. Não satisfeito com isso, logo de seguida veio outra pergunta que já não me recordo ao certo porque ainda estava a tropeçar nas minhas gargalhadas e na ironia da situação, mas que tinha novamente explosivos a mistura.
Portanto concluo, ou Portugal é uma grande potência no mercado internacional de armas de fogo e eu não sabia, ou meus amigos, eu não sei o que é que os senhores da Direcção Geral de Viação e as suas mentes malvadas andam para aí a tramar, mas serei a única aqui a notar um certo padrão de informação duvidoso?
Convido-vos a dedicarem um pouco do vosso tempo a esta questão e estarei receptiva a novas hipóteses de interpretação.
Zelemos pela boa conduta deste país! Viva!
14/03/2007
1º Mistério - O d'O Trabalho
Suspiro.
Entretenho o raciocínio com distracções tentadoras, percorro uma série de alibis que me façam acreditar cegamente que a tarefa que tenho não é assim tão importante, para sair de fininho da sala de julgamento onde trabalha a minha consciência (ela sim, trabalha incondicionalmente. Com isto quero mesmo dizer ausência de condições).
Não quero com isto dizer que não goste do que tenho para fazer. Mas há outras coisas que gosto e que são tão mais simples que... um momento, tenho aqui um cigarro que não pode mesmo esperar!
Como eu estava a dizer, eu sei que o trabalho e o empenho são necessários para se ser bem sucedido e destacado. Mas são resultados a médio/longo prazo e o plágio, corrupção, contactos e atalhos também funcionam e todos ficam felizes. Excepto a minha consciência, mas ela entretém-se a trabalhar noutro lapso qualquer da minha postura.
Grande parte dos trabalhadores Portugueses padece desta maleita: preguiça – a antítese do trabalho. Não se esforça a 100% porque secalhar 70% chega, e em dias maus o 50% dá para o gasto. Confia-se na sorte, tal como se confia em lotarias para enriquecer. Toda a gente conhece a lei do menor esforço e é das poucas que ninguém se importa de cumprir.
Trabalho exige perseguir objectivos, exige dedicação, exige detalhe, exige atenção, exige insatisfação, exige exigência, exige presistência, exige prioridades, exige escolhas.
E ninguém pode exigir muito mais quando se trabalhou.
Como tal deixei o meu cigarro a meio e escrevi o meu trabalho, para que com tudo o que lutar subir na vida à minha custa, viver bem e não ter de fazer mais nada.
Os Mistérios
Sim, também podia distribuir beijos a toda a gente, mas sofro de escorbuto .
Vamos chamar-lhes mistérios!
E por mistérios entenda-se (citando J. Almeida Costa e A. Sampaio e Melo in Dicionário da Língua Portuguesa - Porto Editora) "verdades dogmáticas ou questões Universais que a razão humana não pode compreender; tudo o que tem causa oculta ou que parece inexplicável. "
Enjoy your meal, ladys and gentlemen!
22/02/2007
Brevemente...
Eu sei que nestes ultimos meses fiquei em falta para convosco, e que este blog caiu na merda, MAS
foi sem querer.
Já me puni bastante por castigo auto-proposto, e como tal espero a vossa compreensão e esqueçamos este pequeno espisódio, shall we?
Assim sendo volto em breve com novas drageias literárias de hortelã.pimenta para meu alívio e vosso lazer!
Beijinho, sim?
16/02/2007
Moribundamente Sociais
Entre o desejo de ser
e o receio de parecer
o tormento da hora cindida
Na desordem do sangue
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos
A vida (ensinaram-me assim)
deve ser bebida
quando os lábios estiverem já mortos
Educadamente mortos
Mia Couto
________
Moribundamente sociais.
O ser humano desde que o é tem como necessidade a socialização. Desde os tempos mais primordiais, que o Homem se organiza em sociedades e comunidades, tal como a maioria dos animais o faz. O convívio com os seus similares transmite segurança, conforto e certezas. Certezas essas que são os alicerces da nossa construção pessoal e da construção do nosso próprio percurso. Na oposição, a solidão e a exclusão deixam-nos desamparados, perdidos e pouco confiantes.
Assim sendo, é-nos intrínsecamente natural procurarmos a aceitação dos outros para que também nos considerem na legitimidade de aceitar quem nos rodeia. De outra forma, a nossa opinião pouco interessava. Temos a necessidade de sermos ouvidos e identificados. É uma espécie de negócio implícito que fechamos todos os dias com todas as pessoas com quem nos relacionamos.
Para nos facilitar a vida, muitas vezes usamos as cábulas que a sociedade nos vai dando, moldamo-nos aos padrões que temos a certeza que pelo menos a maioria gosta. É tudo uma questão estatística. As nossas probabilidades de sermos aceites aumentam quando respeitamos a doutrina social que nos é pregada inconscientemente a cada dia que passa.
E assim, deixamos muitas vezes a nossa essência em stand by recorrendo ao modo standard no quotidiano.
É esta qualidade de actores que vestimos todos os dias. Acabamos por projectar algo entre o que somos e o que queremos mostrar aos espectadores.
Fazemos a nossa interpretação dos papeis escritos pela sociedade, cada qual ao seu jeito.
Já o dizia o Mia: “A vida (ensinaram-me assim) (...)” . Aquilo que sabemos e tomamos como verdades resulta do que nos ditam os que nos rodeiam.
Ora não será de estranhar então que aprendamos a ser aquilo que vemos serem os nossos ditadores.
(Esperando piamente que te tenha servido de qualquer coisa D.D. =D )

