05/04/2011

9º Mistério - o d'O Braço

Para aqueles que não seguem o meu percurso literário (o que representa aproximadamente o resto do mundo) e não sabem, a minha avó é um ícone na minha infância e alguém com quem tenho aprendido até hoje.


Mas há uma e uma só excepção de uma lição que eu nunca aprendi - e que eu sei que afecta a minha vida em grande escala.


Alguém me explique a máxima de vida:




“Antes isso que um braço partido”.




Eu já tentei, já me virei do avesso, já me submeti a testes-cobaia de drogas alucinogénicas e feitiços Malaios, mas acho sinceramente que não tenho capacidade espiritual para contemplar toda a beleza e essência desta frase.


É que para mim - e Deus me perdoe tamanho sacrilégio - há coisas bem piores.


Chumbei a uma cadeira - Oh filha, antes isso que um braço partido!

Vou ficar presa mais um ano, iniciar a carreira mais tarde, sair de casa aos 30 e quando quiser ter filhos já não vou estar na idade fértil, acabando os meus dias num lar a jogar bingo a bolas de Naftalina. Mas pelo menos não parti um braço. Por enquanto.


Roubaram-me a mala - Oh filha, antes isso que um braço partido!

Tinha lá a minha carteira com um boletim do euromilhões potencialmente premiado com 9 algarismos de euros e o meu iPhone - para que é que eu vou precisar dos braços agora?


Houve um terramoto e um tsunami no Japão - Oh filha, antes isso que um braço partido!

Que é como quem diz “Os outros que se fodam, o meu bracinho é que não!”


etc, etc, etc.


Mas em parte tenho de reconhecer que esta epifania tem, de facto, uma função indíscutivel: a partir daqui, o mundo torna-se um lugar bem melhor.


Ora se um braço partido é a referência absoluta do pior cenário que pode acontecer, tudo o resto toma imediatamente um carácter bem mais positivo. Acho que consigo viver num mundo em que o meu único e fatal medo será o estalido do rádio ou do cúbito. Afinal o que é um inferno em chamas comparado com isto? Depois de morrer nem sentes nada... Falecer é para meninos, pá!

11/02/2011

Observações de Campo #3


Felizmente há coisas que permanecem num plano não imediato aos olhos. Como os pés. Vê-se mesmo que foi a parte que ficou para o fim quando Deus desenhou o Homem, ou não fossem os pés a ponta mais feia do corpo humano. Muito provavelmente Ele já estaria cansado e com a mão dorida e acabou por desenhar uns rabiscos disformes e sem tinta, tal como a caligrafia ilegível que pauta o final dos apontamentos de uma aula de Antropologia, ou assim.


E como se não bastasse essa condição do nosso código genético com a qual temos de lidar todos os dias, ainda há BANDIDOS (que não têm outro nome!) que se atrevem a fabricar mausoléus em forma de sapatos para relembrar ao mundo da pior maneira que os pés, na sua aparência, existem:




Porquê? Porquê o disfemismo? Os pés já são feios que cheguem, por Cristo!

E o pior é que pegou moda. Atrevo-me a dizer que este sapato pode ser visto como o All Star da 3ª Idade. Se um homem com mais de 60 anos não tiver pelo menos um par, está condenado a ser vítima de Bullying pelos velhos rufias nos torneios de Canastra do Jardim do Príncipe Real.


Escrevam o que vos digo: se algum dia o meu pai, quando chegar à bonita década dos 60, tiver a menos bonita ideia de me aparecer com uns bibelôs daqueles nos coutos, eu juro que perco a compostura e lhe aponto uma palete de tons da Bellady à cabeça! Se ele está velho mas ainda assim pode estar na "moda", também vai a tempo de fazer umas madeixas para disfarçar as raízes, que pintar o cabelo já não é só coisa de gaja!


É que não tem lógica alguma. Ah, porque os sapatos são ortopédicos e o pai já não pode com as costas... Usaste saltos de agulha desde os 15? Aguentaste os dedos encarquilhados e os joanetes em sapatos de ponta bicuda? Então aguenta lá a escleose que os mocassins são como pantufas de caxemira de cabras da Pantene.


Por isso, cavalheiros de idade superior, deixem-se mas é de mariquices que se querem dar uso ao azulinho, reservem os sapatos ortopédicos para cunha de pés de cama e vão dar graças às dores de costas.


26/01/2011

Palavras do Dia#2

Escarlate


s. m.
1. Cor vermelha viva e rutilante; tecido que tem essa cor.
adj. 2 gén.
2. De cor vermelha muito viva.
fazer-se um escarlate: corar.



Situação

De facto, não me ocorre nenhuma. Escarlate é daquelas palavras que eu admiro mas não uso, não por medo de a profanar mas sim porque não liga bem com os meus ténis Adidas. É que Escarlate é uma palavra elegante... tão elegante que acho que só a vou usar quando tiver mais de 40 anos e vestir tailleurs. Com malas Escarlate, precisamente.


Os Critérios

O primeiro critério torna-se bastante evidente logo em 1. Uma palavra que para ser descrita no dicionário precisa recorrer a outras palavras igualmente caras como “Rutilante”, oh meus amigos! É quase tão chique como provar um champagne cuja flute é edição limitada da Atlantis!

O ponto 1. deixa-me ainda margem para uma segunda reflexão: ora se Escarlate pode ser o nome dado ao tecido que tem essa cor, isso significa que hoje quando chegar a casa e quiser limpar às mãos à toalha digo “óh filho, passa-me lá o anil que eu tenho as mãos a pingar de transparente?”.. ou isso, ou Escarlate é um substantivo tão espectacular que é o único que assimila os objectos que têm essa cor e toma a sua forma...


O segundo critério passa pelo facto de Escarlate ser uma palavra extremamente austera e selectiva. Não é qualquer um que pode dizer Escarlate. É preciso, pelo menos, comer com um guardanapo de pano no colo. Devia haver multas para o uso indevido de Escarlate, como por exemplo, para algum Ruben Nelson que dissesse que queria uma camisola Escarlate como o seu benfas. Aliás. Eu atrevo-me mesmo a dizer que, se vermelho é bimbo, e encarnado é que se diz, então minhas queques de solário e sinosite, engoli vosso botox que Escarlate é o brasão do 711C na escala Pantone, ou mesmo o pedigree dos 700nm do espectro electromagnético!


Escarlate tem ainda uma outra nuance. Escarlate tem uma leve aura de crime e pecado. Mas um pecado tão bem feito que faz inveja e dispensa Avé Marias só pelo mérito. Não sei porquê mas, o proíbido, na minha escala de cores (sim, porque eu atribuo cores a tudo) é de cor Escarlate, o que torna os crimes e os pecados muito mais tentadores, ou não lhes fosse essa uma característica própria. Por isso se eu disser que aquele homicídio encheu as paredes de sangue Escarlate, o homícidio é automaticamente promovido a obra de arte, linha essa que pode, na minha opinião, ser efectivamente muito ténue.


Por fim, não queria deixar de registar a minha profunda desilusão com o dicionário que consultei. Está aqui uma pessoa a escrever umas dezenas de linhas cheias de bom gosto e excelência, para vir um exemplo a bold dizer que pode “fazer-se um Escarlate”, assim como quem faz um filho, e esta comparação não foi aleatória. Obrigada pela graciosidade com que destruiste a pose da palavra e a puseste de quatro em frente ao mundo. Obrigada.


p.s. Como devem ter reparado, entre as Palavras do Dia#1 e as Palavras do Dia#2 passou, de facto, mais que 24h. Isso acontece porque, no meu mundo, um dia meu corresponde a aproximadamente 90 dias humanos. Por isso habituem-se!

05/11/2010

É a vida...

- Pessoalmente, eu prefiro a minha beleza natural!
- Bem, mas para isso, primeiro a natureza tinha de ta ter dado.

...

27/10/2010

Palavras do Dia #1

Pestilento
(latim pestilentus, -a, -um)
adj.
1. Que é relativo a peste.
2. Que provoca ou transmite peste.
3. Que exala um mau cheiro muito intenso.
4. Fig. Que corrpompe, danifica.

Situação
Na maior parte das vezes utilizo-o como em 3. - ex: "Que homem pestilento!!"; "Cheira a vomitado pestilento"... etc, etc.

Para além de ser um insulto elegante, Pestilento confere um dramatismo fabuloso aos cheiros. Um carácter quase fatal quando sujeito a um grande período de exposição. E é masculino. Se fosse feminino seria Fétida, palavra essa que também gosto, mas fica para outro dia, quando encontrar uma mulher fétida no metro como encontrei hoje um homem pestilento. Não deve ser difícil, de facto...

Os Critérios
Pestilento é uma palavra grande. Palavras grandes, por norma, ganham logo vantagem à pequenas, mais não seja por demorarem mais tempo a ouvir. E tem muitas consoantes diferentes, exige automaticamente destreza na dicção. Além disso, é pouco comum no vocabulário actual, no entanto com potenciais aplicações na gíria popular, senão vejam só: "Que chulé pestilento!" - o chulé sobe logo de nível. É lindo...

Pestilento é também uma palavra cara. Qualquer tia diria pestilento em vez de mal-cheiroso, mesmo que o mau-cheiro fosse só de um arrotinho, banho de dois dias ou uma coisa pouca. E carregando no "-lento".

Para finalizar, Pestilento é ainda uma palavra que remete ao arcaico. Mais não seja pelo ponto 1. e 2. que aposto terem sido moda na idade média.

Posto isto, está argumentada a minha eleição de Pestilento como Palavra do Dia#1. Mas bastava dizer que gosto.

04/10/2010

Reflexão

Se, hipoteticamente, o Freeport Outlet tivesse uma loja de animais, isso significaria que vendiam porquinhos da índia velhotes? Ou peixinhos às portas da morte?

25/03/2010

8º Mistério - o'Dos Bolos

Hora do lanche, a minha refeição favorita. É que o lanche é, para mim, a única refeição do dia em que temos legitimidade para comer toda a trampa que quisermos. Folhados borbulhantes de gordura, tostas mistas de 7 andares, leite com chocolate, chocolates de leite, bolicaos, donuts, bolos! O que não quer dizer que eu não coma trampa equiparada nas demais refeições, mas ao lanche sinto-me menos culpada.

Ora e aqui estou eu, neste preciso momento, a contemplar uma gorda e fofa fatia de bolo pão-de-ló e uma bruta caneca de Nesquick. E no meio destas trincas tão boas que quase penso que é pecado, vem-me à ideia uma pergunta sem resposta aparente:

Quem foi o visionário que, há muitos e muitos anos atrás, alguma vez pensou que misturar ovos, farinha e leite ia fazer uma coisa tão boa como massa para bolos?
...

É que à primeira vista eu diria que era nojento! Uma pasta viscosa, nem é líquido nem é sólido, amarelo e com bolhinhas, e com três ingredientes que se me mandassem ingeri-los ao mesmo tempo, eu diria que era castigo!

Eu não sei quem foi o audaz que em tempo de escassez (sim, que os bolos já são do tempo da Maria-cachucha, quando o povo mal tinha dinheiro para o pão) decidiu arriscar em fazer tamanha mistela e comê-la a seguir! Acho demasiada ousadia!

No meu ver, acho que o que se terá passado foi o seguinte:

Algures na antiguidade, o nosso amigo Júlio César decidiu dar um daqueles banquetes pipocas lá deles, tudo virou azáfama no Domus e toca de mandar os escravos trabalhar. Nos preparativos, algumas escravas devem ter ido buscar os ingredientes numa correria! Ora por um corredor vinha uma escrava com uma malga de açucar. Noutro corredor, outra escrava com a farinha. Noutro ainda, uma outra com o leite. E por fim, a última escrava com os ovos.

Ora a escrava dos ovos a correr, a escrava do açucar a correr, a escrava da farinha a correr e a escrava do leite a correr... todas a correr em corredores diferentes que iam dar a um mesmo sitio. Corre uma, corre outra, corre uma, corre outra, chegaram ao meio e pumba! Encontrão colossal, farinha, ovos, leite e açucar pelo ar, e quando tudo cai por cima delas, eis senão que surge a escorrer a pasta divina que torna a nossa existência hoje em dia muito mais feliz.


E pronto, eu cá acho que foi assim.

p.s. Ah, e tava um calor dos diabos, que cozeu instantâneamente a massa. Ora aí está.

13/01/2010

Pensamentos de um Reveillon

No virar deste ano, fui desde logo abençoada com uma série de revelações e pensamentos de circunstância nessa primeira madrugada e que achei merecedores de registo.



1 de Janeiro de 2010 Hora aproximada: 8.30 a.m. - Hora do recolher

Local: Cama Posição: Próximo do invertebrado



Pensamento:

" Ok... Não me posso mexer muito, porque estou a fazer "slalom" em garrafas de Vodka que estão dispostas ao longo da minha cama.... e, aconteça o que acontecer, não posso tocar nelas! "



...



1 de Janeiro de 2010 Hora aproximada: 9.00 a.m. - Insónia

Local: Cama Posição: Sentada



Pensamento:

"Oh meu Deus! Está a haver um terramoto! Juro que está a haver um terramoto! Porque é que só eu é que reparo?"



...





1 de Janeiro de 2010 Hora aproximada: 3.00 p.m. - Alvorada

Local: Cama Posição: Deitada



Pensamento:

"Porque é que os indicadores de todos os telemóveis, independentemente da operadora, começam por 9? Terá o número 9 algum significado oculto? Será uma conspiração do Governo? Seremos todos fantoches das telecomunicações?" ... "Ok, acho que perciso de dormir mais um pouco."



...



Entre outros.



Que o vosso ano tenha começado de forma tão rica quanto o meu! Bem Haja!

p.s. Um relativo estado de embriaguez poderá, eventualmente, ter contribuído EM PARTE para estas epifanias.

18/05/2009

7º Mistério - O d'O Malmequer



Ora concerteza que já repararam, na vossa condição de utentes activos ou passivos das estradas de Portugal, numa nova moda entre os automobilistas: um malmequerzinho todo fofix e queriduxo que se cola habitualmente na bagageira dos carros para ficarem mais apipocados e personalizados como os de toda a gente. Bem, esta pandemia de Floribelas rolantes fez-me pensar, tal como todos os mistérios mais profundos da existência humana, na origem de tal disturbio comportamental da espécie. E eis que, numa reveladora epifania, me surgiu a seguinte teoria:



Toda a gente tem presente em mente aqueles dísticos extremamente úteis que se colocam nas viaturas como advertência de um qualquer perigo ou condição. Por exemplo, os triângulos da Chicco do "bebé a bordo". Ou antigamente, os círculos de 90 que carimbavam de perigo público aqueles que eram novatos na condução. Ou ainda os sinais de indicação de transporte de materiais combustíveis ou tóxicos. Enfim, todos aqueles avisos que precaviam os restantes condutores de situações de risco! No entanto, para grande dor de cabeça da DGV, o maior perigo das estradas continuava escondido e omisso, na eminência de uma catástrofe bíblica e causa silenciosa de numerosos sinistros. Mais que camiões-cisterna da Galp em chamas na 2ªCircular as 6 da tarde!!! Mais que bebés de 18 meses a bolsar em jacto para os braços da mamã condutora!!! Mais que cegos ao volante na rotunda do Marquês, o que poderia ser causa de tamanha desgraça e pavor?????





Mulheres.



É verdade, meus caros amigos. É dogma ocidental que as mulheres são a maldição das ruas de Portugal e do mundo, em geral. Venham as estatísticas dizer que os homens têm mais acidentes que as mulheres, blá blá blá, sim senhor, é muito bonito, balelas!! Pois, é que se calhar até têm mais acidentes, mas a questão aqui não é o "quem" mas sim o "porquê"!! Porque, concerteza, alguma mulher se pôs a conduzir em contra-mão e em velocidade excessiva, e para evitar uma desgraça maior, os homens condutores acabam por se desviar e se sacrificar, enquanto elas continuam felizes e airosas, achando que tudo o resto é que está mal. Só que acontece que, mulher que é mulher, jamais se submeteria a algum tipo de aviso imposto pela lei de como representava um perigo público.



E é nesta linha de raciocínio que surge a minha teoria: Ora os malmequerzinhos quando usados nos carros, está-lhes imediatamente inerente a condição de que o condutor é ou deverá ser, mulher.

Por isso sou obrigada a inferir que os tais autocolantes são, nada mais nada menos, que dísticos disfarçados de flôr, criados por homens, para que as mulheres se identifiquem a si mesmas consentidamente, contribuindo assim para um mundo melhor e com mais segurança para as gerações vindoras.

Desta forma, é possível aos condutores atentos prevenirem-se, mantendo uma distância de segurança de 10 metros de raio, que lhes permita chegarem aos seus destinos sãos e salvos. Por seu lado, as meninas ficam todas contentes e delirantes porque podem decorar o seu popó!

Três vivas ao génio das florzinhas!


p.s. - Sim, eu sou mulher, e por isso mesmo, sei do que falo.

26/01/2009

6º Mistério - O d'O Tapete Rolante

E porque uma rapariga tem de se alimentar (por mais inacreditável que possa parecer), porque a cantina do politécnico tem dias, porque ando à espera há meses que o Jamie Oliver faça receitas com ingredientes que realmente existam nas mercearias do mundo real, e também porque já parece mal uma rapariga da minha idade levar termus para a faculdade, vejo-me obrigada a recorrer variadas vezes às refeições pré-cozinhadas do LIDL.

E é neste âmbito que tenho vindo a observar um comportamento quase tão natural no ser humano do primeiro mundo como aceitar panfletos de publicidade, amarfanhá-los e atirá-los para o chão no segundo seguinte:

Porque será que, quando estamos na fila da caixa de um qualquer supermercado, tendemos a amontoar todos os nossos produtos de tal forma que seja garantido que não exista mais nenhum objecto num raio de 2 palmos e que não haja qualquer hipótese de confundir as minhas batatas com a palete de leite do senhor da frente?

Criamos ali naquele decímetro quadrado de tapete rolante um território só nosso e ai de quem ultrapasse a fronteira. E se porventura alguém atrás de nós tem a ousadia de invadir um pouco que seja daquele fosso preto que rodeia a nossa pirâmide de pertences, rapidamente temos uma reacção defensiva e automática do sistema imunitário que nos leva a empilhar ainda mais os enlatados, de forma a obter a maior concentração de produtos por centímetro quadrado que a física nos permita.

Ficámos ali, que nem cães de guarda sarnentos de olho semi-cerrado e mostrando o dente, topando qualquer artimanha ou movimento em falso que represente uma ameaça para as nossas compras do mês.

E ainda temos outra ferramenta extremamente útil: a barra amarela "cliente seguinte". Mas eu pessoalmente sinto-me frustradíssima por só existir uma por caixa. É que por mim, punha uma à frente, outra atrás, e porque não também dos lados? Aliás, se eu pudesse, encaixava assim barras umas nas outras até construir uma auntêntica muralha, com catapultas de esparguete prestes a aniquilar outros clientes hostis.

Mas porquê tudo isto? Eu penso de mim para mim...

Medo que um cliente maldoso me roube uma saca de cebolas que de facto ainda não paguei?
Medo que um estranho, ao pegar nos seus produtos, tenha depositado neles uma dose de germes infecto-contagiosos que se arrastem e rastejam que nem minhocas até aos meus produtos esterlizados e imaculados?
Um surto de pretensiosismo que me faça julgar os meus frescos melhores que os deles e não querer cá misturas?

Não sei, só sei que é uma espécie de Hipocondria Material que me assombra a mim e à maioria dos consumidores deste país.

Se calhar devíamos todos comprar garrafões de 5l de Amukina e mergulhar os sacos do Continente num alguidar cheio, só por descargo de consciência.

06/11/2008

Propósito

Fazendo uma retrospectiva deste blog vejo que, na maior parte das vezes, escrevo sobre coisas inúteis. Só que acho extremamente injusto que ninguém lhes dedique atenção! =)

22/10/2008

Quando eu disser 3

O caos do trânsito em Lisboa dá-nos espaço para reflectir sobre muita coisa! Alguma útil, outra nem tanto.

Hoje fartou-se de chover, e enquanto eu esperava que o semáforo decidisse mudar de cor, comecei a seguir o movimento do limpa pára-brisas com o olhar. Subitamente, apercebi-me de que aquele simpático e utilitário instrumento, escondia algo mais que uma chiadeira ritmada - nele residia um perigo perverso e subliminar.

É que aquele constante movimento indeciso, binário e repetitivo começou a assemelhar-se-me com o movimento característico de um relógio de bolso pendular com que os ilusionistas sempre gostaram de nos brindar.

Obviamente, comecei a sentir em mim uma ligeira hipnose, um leve atordoamento da consciência, e aposto com vocês, meus amigos, que se o meu carro falasse e me mandasse imitar um cão, eu saía porta fora, e ali mesmo, no meio da fila de carros, alçava a perna e fazia o que qualquer cão macho que se preze faz em todos os pneus.

Quero portanto deixar aqui o meu alerta sincero, para que resistam a toda e qualquer tentativa maldosa por parte do vosso limpa pára-brisas de vos seduzir e manipular, ora então imaginem só: se o trânsito já tende por si só a ser perigoso, mal de nós se todos os senhores condutores em dias de chuva começassem a entrar em plena regressão ao volante, brincando com as manetes das mudanças, manuseando a direcção bruscamente como qualquer criança e descarregando todas as suas frustraões passadas no código da estrada.

Quer me parecer a mim que a rua se iria tornar numa significativa ameaça para os demais condutores e restantes transeuntes.

28/09/2008

Encontros Imediatos de 3º Grau


Ora, no presente fim-de-semana, eu e a minha família fomos até Fátima, supostamente para visitar apenas as Grutas da Moeda. Levaram-me bem levada, que seu eu soubesse que íamos acabar no Santuário tinha ficado em casa, bem escondida, e certamente iria resistir se me tentassem dissuadir. Qual o meu espanto quando, no caminho de volta começo a ver, em vez de bosques e gado, velas e massas de gente em joelhos. Um calafrio percorreu toda a minha espinha. Eu sabia o que estava para vir: o ritual da velinha. Bem, saí e mentalizei-me que teria de aceitar aquela dura realidade.

No entanto, no meio de toda aquela agonia, vi algo que me fez esboçar um sorriso sarcástico. Ei-la: a placa informativa à entrada do Santuário.

Segundo a mesma, é proibido:
Pedir esmola: Curioso, afinal andei enganada todos estes anos, que achava que aquelas caixinhas de madeira com ranhuras que há nas igrejas e aqueles cestinhos que circulavam durante as missas eram para por moedas. Se calhar afinal eram só uma espécie de tombolas onde deixar a votação para o próximo pároco ou qualquer coisa assim.
Andar de bicicleta: Uma pena. É que aquele piso inclinado em laje polida é ideal para desportos sobre rodas.
Passear animais: E se eu quisesse que o meu Lulu da Pomerânia fosse benzido pelo Bispo, não podia?

É ainda aconselhável ter cuidado com malas e bens pessoais, que o Santuário está pejado de pessoas mal-intencionadas.

Devo ainda sublinhar que ontem estava bastante calor, e eu, consequentemente, usava um shortinho e um top. Obviamente, refugiei-me no meu telemovel para me manter ligada ao mundo terreno e não ser sugada para aquela dimensão de sacrifício humano. Isto levou-me a infrigir duas regras do Santuário, razão suficiente para que, se não me metesse a pau, fosse apedrejada ali mesmo, em frente a toda a gente.

De saída passámos ainda numa lojinha de souvenirs, a pedido da minha irmã. Aquele estabelecimento não podia ter stock mais completo. Na montra podia-se ver: terços, armas, colares com crucifixos de Nosso Senhor Jesus Cristo, colares com caveiras, porta-chaves de Nossa Senhora de Fátima, porta-chaves do Futebol Clube do Porto, rosários, pulseiras contra o mau-olhado. Aposto que se procurasse bem no meio das Bíblias ainda encontrava uma ou outra edição de Feitiços, Mézinhas e Rituais Pagãos.

Começam a surgir-me palavras na cabeça:
Poder?
Hipocrisia?
Manipulação?
Consumismo?
....

Mas se estava tudo ali, à vista de todos, porque é que só eu é que via isso?

Depois é que eu me lembrei da única diferença entre mim e quem estava ali à minha volta naquele momento, algo que eu não tinha feito como eles, e a resposta estava ali mesmo à minha frente, naquele grande cartaz informativo:

Fátima é um lugar de adoração, e todos entram como peregrinos.

08/07/2008

Observações de Campo #2

Enquanto eu estudava a senhora que escarrava no metro, e tirava apontamentos sobre o seu perfil, uma outra senhora fazia o típico gesto de quem tenta ver pelo rés-do-chão esquerdo da órbita o que a pessoa do lado está a ler ou escrever. Eu topei-a. Olhei para ela. Escrevi no caderno "apetece-me riscar o braço todo da senhora do lado" . Fiz questão que ela visse. Resultou.

Alguém....???

Alguém saberá dizer-me porventura, de que forma é que poderei induzir-me em coma por 13 dias? É que há certos períodos de tempo que são torturantes, podem mesmo originar problemas crónicos irreversíveis ao nível do coração. E algumas lesões cerebrais também.

Aguardando ansiosamente uma resposta,
Petúnia Sacramento.

07/07/2008

Observações de Campo

A única coisa de que eu tenho saudades desde que tenho carta de condução, é da multiplicidade de seres com que nos deparamos na Concrete Jungle. Eu adoro olhar para as pessoas, tentar decifrar-lhes as almas e descobrir-lhes os segredos mais sujos! Andar de metro, pode mesmo ser considerado uma autêntica experiência de campo, um safari cosmopolita!

Hoje por exemplo, ia à minha frente uma senhora, possivelmente mãe de filhos, que a certa altura do percurso decide puxar catarro! Mas meus senhores, devo dizer que não foi um simples fungar! Eu ia de headphones nos ouvidos, deliciada a escutar Diana Ross, e tamanha foi a magnitude na escala de Richter que me interrompeu a música e me arrepiou os pêlos dos braços!

Não sei como ela é capaz! Chego mesmo a admirá-la! Quando o meu namorado me tentou ensinar a escarrar, mal senti a mucosa ascender, provocou-se-me logo o vómito.

Sim eu sei, cheiro a leitinho.

06/07/2008

Com Pó, Rugas e Teias #2

Acredito piamente que hoje não seria a mesma pessoa se não tivesse tido presente na minha infância o seguinte tema:



Peladjuuusss in Santchuuuss =')

05/07/2008

Mas que...???

Reparem só. Notam alguma coisa de invulgar? Não? Eu ajudo: é um modelo de sapato masculino. Ainda não? Nada de anormal?

MAS SEREI A ÚNICA A NÃO COMPREENDER ESTA NOVA TENDÊNCIA DE EXISTIREM SAPATOS MASCULINOS BICUDOS ???

De facto, acho mesmo a coisa mais ridícula que alguma vez a moda ousou implantar.
Para além de inestético e duvidoso, acho que chega mesmo a ser ofensivo para todo o público feminino. É que até hoje, a proeza de poder matar baratas ao canto da sala era um privilégio reservado a nós, mulheres!!! Até essa exclusividade nos querem tirar?

Para que é que um homem quer sapatos bicudos? Para dar caneladas? Para tropeçar na calçada? É que homem não nasceu com postura nem com graciosidade em quantidade suficiente para caminhar em sapatos bicudos! É que nem é prático! Ora basta pensar que agora são obrigados a ficar mais longe do urinol.

O sapato bicudo foi uma criação pensada para as mulheres! Nós é que precisamos deles como arma! Nós é que temos medo de insectos! Nós é que temos direito a criar joanetes de ficar tanto tempo com os dedinhos todos encarquilhados. Não existem homens com joanetes! E se passarem a existir, ter joanetes vai ser visto como uma fraqueza genética, não um resultado forçado das normas de vestuário ocidental! Tiraram-nos essa desculpa! Mulher deve ser mártire - sofrer para bonita ser! O homem não! Quer-se rude e a cheirar a cavalo! Não é a andar em pontas e a ir à pedicure raspar os calos e fazer unha francesa...

Mais ainda! Para além de ofensivos, os sapatos bicudos masculinos podem chegar a ser assustadores! Ora se uma mulher que calce o 37, parece ter pé de 40 com sapatos daqueles, o comum homem que calce um 44, vai parecer um esquadro, com um perfeito ângulo recto e de lados iguais. Bem sei que existe o boato que homens de pés grandes são bons de cama, mas para demonstrações de testosterona e virilidade, meus senhores, já existem os carros e a cerveja! Francamente!

Isto não passa de uma conspiração! Agora que nas sociedades industrializadas a mulher começa a conquistar estatuto e independência, os homens sentem-se ameaçados e vão-nos começar a tirar aquilo que é só nosso por direito! Começaram pelos pés, mas meninas, só estou à espera do dia em que vão pôr à disposição collants de descanso, cintas de ventre liso, echarpes e alfinetes de peito na secção masculina da Massimo Dutti.

Dicas #1

Senhoras e jovens debutantes, descobri por experiência própria que existe uma alternativa ao colagénio para enchimento de lábios, completamente natural e a custo zero!

Já captei a vossa atenção? Pois então a fórmula é a seguinte: ide dois dias seguidos à praia, não usem qualquer bálsamo protector para os lábios, vão acompanhando a direcção do sol com as toalhas, e deixem-se assim de beiços para o ar durante umas horas. Quando sentirem que obtiveram uma leve insolação nos ditos, está no ponto. Ide para casa. No dia seguinte terão um pelo par de Angelinas debaixo do nariz. A única desvantagem é que o inchaço só deve durar dois dias. Mas como solução podem repetir continuamente o processo durante todo o Verão.